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Triagem e avaliação em nutrição de pacientes graves: como deve ser feita?

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Nutricionistas e profissionais da área da saúde que trabalham em hospitais devem manter seus conhecimentos atualizados para realizar procedimentos como a avaliação em nutrição de pacientes graves, essencial para detectar o estado nutricional.

Quando alguém tem o estado nutricional prejudicado, sua vida é colocada em risco por diversos fatores. Cabe ao nutricionista tomar providências e fazer o diagnóstico para reverter o quadro e preservar a saúde do cliente.

É por isso que conhecer bem a avaliação em nutrição de pacientes graves e saber como realizá-la da melhor forma faz toda a diferença. Acompanhe a leitura e entenda melhor esse assunto tão importante.

O que é um paciente com risco nutricional?

Os pacientes graves costumam apresentar diversos riscos nutricionais que prejudicam a saúde, como infecção, deterioração cardíaca e pulmonar, mudanças no equilíbrio hídrico e intolerância gastrintestinal.

Dentro da UTI, os sintomas comumente associados a uma maior mortalidade são gastrointestinais, como sangramentos e a ausência de sons intestinais. A resposta à injúria leva a uma maior perda da massa magra, que é agravada pela falta de mobilidade física, além da presença de feridas.

Quais são os principais casos de riscos nutricionais?

A perda de nutrientes pode ser decorrente de grandes queimaduras, drenos, fístulas e diarreia. Em casos de procedimentos e manejo da respiração artificial, pode ocorrer o retardo do início da nutrição. Vale lembrar que há um maior risco e complicações nutricionais quando o paciente é obeso.

Além disso, como resultado de longos períodos de ingestão ou absorção baixa de nutrientes, pode-se chegar a um estágio de desnutrição. As consequências são alterações na composição corporal, prejudicando todos os sistemas orgânicos do corpo.

O histórico de doenças com insuficiência hepática avançada, pancreatite crônica, doença renal crônica e câncer também configura um caso de risco nutricional. Nessas situações, a desnutrição pode decorrer devido a alterações metabólicas, ingestão alimentar deficiente, hipercatabolismo, má absorção, entre outros fatores.

Quando fazer a avaliação em nutrição de pacientes graves?

A avaliação em nutrição pode ser feita a partir de o resultado da triagem, quando houver. É interessante que esse procedimento seja realizado primeiro, e não precisa ser necessariamente feito por um nutricionista. Técnicos em nutrição, enfermeiros e médicos treinados podem conduzi-lo.

Em hospitais, a triagem deve ser feita dentro de 24 a 48 horas após a admissão. Ela é feita para reconhecer riscos nutricionais. Ainda que seja um sistema de apoio, ela é altamente indicada devido à sua importância para a condução de um caso. Quando a ameaça a saúde é identificada, é recomendado que um nutricionista realize a avaliação completa e profunda do paciente.

A grande diferença entre a triagem e a avaliação é o resultado obtido. Na triagem, o resultado obtido é se há ou não risco nutricional para o indivíduo ou população. Na avaliação, o resultado obtido é a identificação ou não de um problema (diagnóstico) específico, que exige a intervenção de um nutricionista.

Quais são os procedimentos utilizados na avaliação?

A avaliação em nutrição de pacientes graves deve ser feita de maneira detalhada para garantir a boa interpretação. Por isso, precisar ser realizada com base em algumas métricas e procedimentos. Confira!

Histórico nutricional e físico do paciente

A primeira etapa da avaliação é levantar as informações do paciente, como idade, medicamentos que utiliza, condições clínicas anteriores, nível funcional e neurológico. Tudo isso deve ser avaliado junto com a gravidade do estresse e a chance de complicações.

É preciso coletar todo histórico de alimentação e nutrição do cliente. Dados sobre restrições alimentares, abuso de álcool, alergias alimentares, uso de suplementos nutricionais e alimentação do dia anterior, além de destacar preferências e aversões alimentares.

Se necessário, é possível coletar informações com membros de família ou cuidadores. Alguns dos dados podem ser obtidos na UTI, por meio de anotações dos profissionais de enfermagem, como temperatura corporal, volume de estase gástrica, presença de diarreia e balanço hídrico.

Dados sobre o peso do paciente também são de grande relevância. É importante avaliar se houve, por exemplo, redução de peso não proposital maior que 10% nos últimos 3 meses, o que o enquadraria em um caso grave.

Informações sobre o apetite do cliente, autoalimentação, problemas para mastigar/deglutir e intolerâncias alimentares devem ser coletadas nessa etapa. Casos de náuseas, obstipação e diarreia também devem ser informados e avaliados com as características das fezes.

Exame físico nutricional

O exame físico nutricional envolve a busca por condições hídricas, sondas, uso de respirador, tempo e tipo de injúria, presença de drenos e outros. São avaliados sinais de desnutrição e alterações na pele, mucosas, unhas e cabelos, além de problemas que levem à desidratação.

A avaliação de cicatrizes de feridas e a inspeção visual corporal são muito importantes nesse processo. O nível de consciência também precisa ser obtido, geralmente avaliado pela Escala de Coma de Glasgow.

Testes laboratoriais e procedimentos bioquímicos

Os dados bioquímicos, apesar de relevantes, sofrem alterações dependendo do estado do paciente, especialmente quando há questão de desidratação.

Os testes laboratoriais, que diagnosticam a condição metabólica e o funcionamento dos órgãos, são de grande importância e em diversos casos são indicados para acompanhamento de pacientes graves.

Medidas antropométricas

As medidas antropométricas, incluindo a composição corporal, são úteis para detectar o quadro de desnutrição pré-existente, no momento da admissão do paciente grave.

Entretanto, alterações corporais, como as variações no estado de hidratação, comuns nesses pacientes, podem invalidar a avaliação antropométrica. Por isso, é importante aliá-las a outras medidas.

Instrumentos integrados

Os instrumentos integrados utilizam um conjunto de dados para a avaliação em nutrição ou para identificar o risco de complicações e de morte. A Avaliação Subjetiva Global, por exemplo, é um dos instrumentos que também foi validado para pacientes em UTI, embora apresente problemas para identificar subnutrição e limitação na detecção de edema em casos graves.

Outro instrumento é o Características Clínicas da Desnutrição (Malnutrition Clinical Characteristics, MCC). Ele segue a padronização internacional de classificação da desnutrição, mas ainda não foi devidamente validado para pacientes gravemente enfermos.

Como se preparar para a avaliação em nutrição de pacientes graves?

A correta realização da avaliação em nutrição exige capacitação específica por parte dos profissionais de saúde. É importante investir em cursos que se aprofundam em cada um dos passos da triagem de risco e da avaliação em nutrição de pacientes gravemente enfermos.

Por ser um procedimento extremamente necessário, especialmente em hospitais e UTIs, a avaliação em nutrição de pacientes graves merece a atenção de nutricionistas e profissionais da área de saúde.

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