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nutrição para doenças renais crônicas

Quais os cuidados em nutrição para doenças renais crônicas em pediatria?

As doenças renais crônicas (DRC), comuns em adultos com hipertensão ou diabetes, também podem ser observadas em crianças e adolescentes.

Não é à toa que o tema do Dia Mundial do Rim de 2016 foi “A prevenção da doença renal crônica começa na infância”.

Como a doença se manifesta com frequência de maneira assintomática, é comum que seja detectada tardiamente, o que oferece riscos para todos os indivíduos.

O papel da nutrição é muito importante para a prevenção e tratamento da DRC. Hidratação, exercícios físicos e uma dieta saudável são peças-chave para prevenir a doença.

No entanto, a alimentação de um indivíduo acometido por essa enfermidade é específica para sua idade e para o estágio de evolução da doença.

Sabemos que é um assunto sensível, por isso preparamos este post.

A Profª. Dra. Cristina Martins, diretora do Instituto Cristina Martins, respondeu as principais dúvidas sobre o tema para ajudá-lo a entender melhor como a nutrição pode auxiliar na prevenção e tratamento da doença renal crônica. Confira!

Quais os principais cuidados em nutrição para a doença renal crônica em pediatria?

Tanto em adultos quanto em crianças, os cuidados dependem do estágio da doença no qual a pessoa se encontra, aponta a Dra. Cristina.

A classificação da DRC é medida a partir da taxa de função renal, avaliada pelo clearance de creatinina. Além disso, verifica-se por meio de teste bioquímico da urina a presença — ou não — de perdas de proteína.

De acordo com o relatórioKidney disease: Improving global outcomes (KDIGO)”, de 2012, há 5 estágios da doença renal crônica.

Lembre-se que, em qualquer estágio da DRC, o acompanhamento nutricional é prioritário.

Nos primeiros estágios da doença, o nutricionista será importante para identificar excessos e auxiliar na adesão às práticas alimentares saudáveis.

A partir do quarto estágio, o acompanhamento nutricional torna-se essencial para o tratamento da DRC. No quinto, o indivíduo precisará de diálises ou de um transplante de rins. As restrições alimentares, neste momento, dependem do tratamento indicado.

As recomendações vão depender, além do estágio de evolução da doença, da condição nutricional individual.

Dessa maneira, pessoas desnutridas devem receber o mínimo de restrições, tendo em vista que há um aumento das complicações e da mortalidade como consequência da desnutrição em indivíduos renais crônicos. Nos casos pediátricos, a subnutrição representa um risco maior do que para adultos.

O que pode e o que não pode ser ingerido?

A Dra. Cristina Martins aponta que, no primeiro estágio da doença, não há exigência de restrições alimentares pontuais — o acompanhamento nutricional é necessário para assegurar uma alimentação saudável e desacelerar a progressão da doença.

Nos estágios 2 e 3a, é recomendado que o indivíduo evite a ingestão excessiva de alimentos com alto teor de sódio e ricos em proteínas e mantenha uma prática de exercícios físicos regulares. Essas orientações são gerais, válidas também para crianças e adolescentes.

A partir dos estágios 3b e 4 da DRC, o nutricionista deverá trabalhar no controle do consumo de proteínas, de acordo com a idade e estado nutricional do cliente.

Além disso, precisam ser evitados os alimentos industrializados — restringindo a ingestão de fósforo, sódio, gorduras saturadas e trans.

O controle da ingestão de proteínas pode ser feita de duas formas. Na primeira, foca-se somente na dieta, com controle no consumo de carnes e substitutos, leite e derivados.

No outro regime, a quantidade recomendada de proteína reduz pela metade na dieta, mas realiza-se uma suplementação com aminoácidos essenciais ou com cetoácidos.

A última, chamada de cetodieta, pode reduzir toxinas do sangue, além de retardar a evolução da doença renal. Mas somente a suplementação, sem o controle para a ingestão adequada de proteínas totais e energia, não será suficiente para os benefícios.

Portanto, o trabalho de um nutricionista é essencial para a implantação da intervenção.

Já quando em diálise, o cliente pode apresentar perdas consideráveis de proteínas.

Nesse caso, a dieta deve oferecer maior quantidade do macronutriente do que no estágio anterior.

Mas continua sendo necessário controlar o consumo de alimentos ricos em fósforo, como:

  • alimentos industrializados, que contêm aditivos compostos de fósforo com alta absorção intestinal;
  • algumas carnes, como a sardinha, frutos do mar e linguiças;
  • embutidos, como mortadela e peito de peru;
  • queijos;
  • cervejas;
  • refrigerantes à base de cola.

A Dra. Cristina expõe que, para um adolescente em hemodiálise, por exemplo, a dieta indicada poderá ser pobre em potássio.

Nesse caso, quer dizer que deve-se evitar frutas como banana, abacate, açaí e laranja, entre outras, além de alimentos como café solúvel e chocolate.

O consumo de qualquer produto com muito sódio, como os industrializados, embutidos e enlatados, também deve ser evitado.

Outro ponto a ser acompanhado pelo nutricionista é a ingestão de líquidos, ajustada a depender do volume de urina do indivíduo e se apresenta ou não edemas.

Uma recomendação importante é que, uma vez diagnosticado com a DRC, a pessoa não consuma, de maneira alguma, carambolas ou o suco natural da fruta, tendo em vista que ela contém uma substância tóxica para clientes de doença renal.

Quais as consequências de não seguir o plano alimentar sugerido?

As dietas prescritas por um nutricionista têm os objetivos de retardar o avanço da doença renal crônica e diminuir seus sintomas para que a pessoa acometida viva com mais conforto e segurança.

Se não houver uma preocupação do cliente com a alimentação saudável nos estágios iniciais da DRC ou com um plano alimentar mais adequado nos momentos seguintes, os rins falharão mais rápido.

Isso ocorre porque quando os rins não conseguem realizar a função de filtragem, potássio, fósforo, sódio e água se acumulam no sangue.

O acúmulo dessas substâncias pode agravar os efeitos da insuficiência renal.

As recomendações ou restrições feitas pelos nutricionistas procuram compensar a concentração dessas substâncias, buscando, além do bem-estar, manter o bom estado nutricional do indivíduo.

Com que frequência devem visitar o nutricionista?

Nos primeiros estágios da doença, o profissional da nutrição deve acompanhar o cliente para garantir uma alimentação saudável. Dessa forma, não é necessário que as consultas sejam muito frequentes.

Conforme a DRC progride, porém, as visitas ao nutricionista precisam ser feitas com maior regularidade.

A Dra. Cristina recomenda que pessoas no estágio 4 se consultem com o nutricionista no mínimo uma vez por trimestre.

Para aqueles em diálise, as consultas precisam seguir a frequência necessária conforme o tratamento. Indivíduos em diálise peritoneal, por exemplo, devem realizar consultas mensais com toda a equipe de saúde, que inclui o nutricionista.

A nutrição ganha cada vez mais importância na prevenção da DRC e na recuperação de indivíduos renais adultos e pediátricos, garantindo o sucesso dos tratamentos e seu bem-estar.

Vale a pena se informar e conhecer mais sobre o tema!

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