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Entenda qual a importância da nutrição para o paciente em diálise

O nutricionista tem o importante papel de relacionar alimentação e saúde para oferecer mais qualidade de vida às pessoas. Nesse sentido, adquire ainda mais responsabilidade na nutrição, ao ajudar a prevenir e tratar problemas associados à função dos rins.

Os pacientes com enfermidades renais precisam de um acompanhamento nutricional intensivo para evitar a evolução do quadro e possíveis complicações. Além disso, a mudança de hábitos alimentares é fundamental para proporcionar mais conforto e segurança durante o tratamento.

Para entender melhor o assunto, conversamos com a nutricionista Cristina Martins — mestre em Nutrição Clínica e doutora em Ciências Médicas — sobre os cuidados com a alimentação em pacientes em processo de diálise. Continue a leitura e saiba mais sobre a importância da nutrição para pacientes com enfermidades renais. Acompanhe!

Importância da nutrição para pacientes em diálise

No processo de diálise, independentemente do método utilizado, o sangue é filtrado para retirar as impurezas e toxinas resultantes do metabolismo. Como os rins não realizam essa função corretamente — devido a doenças ou pela insuficiência do órgão — é necessário ajudá-lo, por meio da diálise.

No entanto, esse tratamento pode provocar a perda de outros nutrientes, sendo preciso adotar uma alimentação diferenciada, adequada às necessidades do paciente. E é aí que entra a nutrição renal. Ou seja, a nutrição especializada para pacientes com enfermidades renais.

Um exemplo, destacado pela nutricionista Cristina Martins, é o caso da perda de proteínas, uma consequência direta da diálise. Assim, o nutricionista deve orientar sobre o bom consumo de alimentos proteicos, de acordo com a demanda de cada paciente.

No entanto, de modo inverso às proteínas, pode haver maior retenção de fósforo no organismo. Até porque as fontes proteicas costumam conter boas quantidades desse nutriente. Da mesma forma, é preciso ter atenção ao potássio e ao sódio, que podem se acumular no sangue.

O fato é que tudo isso depende muito das condições físicas e necessidades de cada indivíduo. Portanto, a nutrição renal é muito importante para estabelecer as necessidades individuais, repor as perdas decorrentes do tratamento dialítico e adequar os excessos que podem ser acumular no sangue do paciente. A adequada reposição e substituição de alimentos é uma forma de evitar que os pacientes fiquem ainda mais debilitados, melhorando a saúde física e o bem estar deles.

Como o nutricionista auxilia nestes processos

O nutricionista pode contribuir bastante para o paciente evitar a desnutrição, tendo em vista o grande desgaste físico decorrente do tratamento dialítico, já que o tratamento resulta em grande perda de proteína, vitaminas e outros nutrientes.

Dessa forma, é preciso fazer uma boa reposição proteica, com a ingestão de proteínas variadas, de origem animal e vegetal. Cristina Martins destaca a necessidade de se monitorar de perto os índices sanguíneos de fósforo e potássio, pois eles tendem a ser elevar entre uma sessão de diálise e outra.

A nutrição renal também deve considerar o controle da ingestão de sal, que pode aumentar a pressão arterial e a retenção de líquidos. Pois é preciso lembrar que, como os rins estão comprometidos, o organismo não elimina o excesso dessas substâncias. Assim, ao cuidar de pacientes renais, deve-se ter controle de:

  • alimentos ricos em fósforo, como leites e derivados, oleaginosas, ovos, grãos, refrigerantes e cervejas;
  • frutas e outros alimentos com alto teor de potássio, como banana, figo, goiaba, abacate, açaí, laranja, frutas secas e chocolate;
  • qualquer alimento que contenha muito sódio, com embutidos, enlatados, temperos e molhos prontos ou produtos ultraprocessados.

Por outro lado, embora em quantidades controladas também, são recomendadas diversas frutas, verduras e legumes, como:

  • abacaxi;
  • limão;
  • maçã;
  • morango;
  • alface e outras folhas verdes;
  • cenoura;
  • pepino;
  • abóbora;
  • beterraba;
  • mandioca;
  • batata, entre outros.

Importância da atualização sobre a nutrição para pacientes renais

A cada dia surgem novas informações sobre a nutrição e a sua função na recuperação de pacientes renais. Os próprios critérios para a definição e o diagnóstico da Doença Renal Crônica (DRC) — uma doença que afeta cerca de 10% da população — estão mais claros e mais bem estabelecidos. Desse modo, não é por acaso que cresce o interesse de nutricionistas pela área.

Trata-se de uma doença complexa, que exige terapia de longo prazo, com envolvimento intensivo do nutricionista. As dietas devem ser ajustadas constantemente e o manuseio dos pacientes é delicado, pedindo o trabalho conjunto de outros profissionais de saúde, sobretudo do nefrologista responsável pelo tratamento.

Por sinal, o atendimento interdisciplinar faz toda a diferença na recuperação, reduzindo a morbidade e a mortalidade associadas aos problemas renais. Assim, o nutricionista precisa não apenas ter o cuidado necessário com os pacientes, como também atuar em diversas frentes e interagir com diferentes profissionais.

Para tanto, é fundamental manter-se atualizado. Existem cursos específicos na área, especializados em nutrição renal. Porém, são muito bem-vindos os diversos eventos e a própria literatura sobre o assunto, que envolve desde artigos acadêmicos até outros materiais menores.

Publicações atualizadas recentemente sobre o assunto

A nutrição renal começou a ser estudada a fundo a partir dos anos 1970. Ou seja, consiste numa área bem recente, se comparada ao campo de estudo como um todo. Já nessa época, foi detectada que a desnutrição era uma condição recorrente nos casos de DRC.

Nos dias atuais, já existem estudos mais modernos sobre o assunto. Para começar a se informar melhor sobre a nutrição renal, recomendamos a leitura de alguns materiais bem recentes. Entre eles, temos um artigo “Avaliação nutricional na doença renal crônica: desafios na prática clínica”, que trata, de modo geral, da complexidade na avaliação dos pacientes nessa situação.

este artigo, destaca a importância do diagnóstico precoce da Doença Renal Crônica e do trabalho interdisciplinar para o tratamento. Enquanto esse estudo de caso descreve o estado nutricional de pacientes com insuficiência renal no Amazonas.

Mas essas são apenas algumas das diversas publicações na área. O fato é que a nutrição se destaca cada vez mais pela sua importância na recuperação de pacientes renais, evitando a desnutrição e melhorando o estado físico geral deles. Vale a pena conhecer e se informar melhor sobre o assunto!

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