Nutrição Parenteral Intra-hemodialítica: Opção para Pacientes Desnutridos e com Disabsorção Intestinal

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A desnutrição é um grande problema para pacientes em diálise (1, 2). A recuperação do estado nutricional pode reduzir a morbidade e melhorar o prognóstico, a longevidade e a qualidade de vida dessa população (3).

A principal via de alimentação é, sem dúvida, a oral a partir dos alimentos. Para pacientes anoréxicos, as intervenções incluem a indicação de dieta via mais liberal, com atenção às preferências alimentares. Porém, para muitos pacientes, a conduta pode não ser suficiente para a manutenção ou melhora do estado nutricional. Nesse caso, são indicados suplementos alimentares, artesanais e industrializados. O uso de suplementos alimentares reduziu significativamente as taxas de hospitalização de pacientes em hemodiálise (HD) (4).  Porém, em casos graves de anorexia, os suplementos orais podem não ser bem-sucedidos.

A alimentação via sonda, por sua vez, pode não ser bem tolerada devido a náuseas, vômitos e distúrbios gastrintestinais, além de exercer efeito psicológico negativo na imagem corporal já distorcida do paciente. Na rotina, é provável que a maioria dos pacientes ambulatoriais em HD não aceite a colocação de sondas para alimentação.

A nutrição parenteral é, então, a última alternativa para prover o suporte nutricional adequado. Ela é indicada para pacientes hospitalizados e para aqueles com impossibilidade de absorver nutrientes, suficientemente, pela via enteral.

Outra alternativa específica de nutrição parenteral é a intra-hemodialítica (NPIHD). A NPIHD é administrada durante o procedimento de HD. Nesse caso, uma solução nutritiva é colocada, por meio de uma agulha, dentro da câmara de gotejamento do fluxo venoso, saindo do dialisador. A solução nutritiva parenteral pode fornecer glicose hipertônica, aminoácidos, lipídios, vitaminas e minerais desejados. Mas é administrada somente durante as sessões de HD, geralmente três vezes por semana. Portanto, pode ser considerada como um suplemento nutricional parenteral. É possível administrar até em torno de 1.200kcal por procedimento. Pelo fato de ocorrer diálise concomitantemente à infusão rápida de nutrientes, o excesso de líquidos pode ser retirado durante o procedimento, enquanto os nutrientes infundidos são retidos.

A NPIHD deve ser tentada em pacientes que não podem eficientemente utilizar o trato gastrintestinal (5). Embora haja escassez de estudos que possam concluir o seu benefício nutricional (6), a NPIHD pode ser útil e uma opção adicional para a recuperação de indivíduos desnutridos em HD. Um consenso entre a Sociedade Espanhola de Nefrologia e a Sociedade Espanhola de Nutrição Parenteral e Enteral considera a NPIHD como uma alternativa válida a outros tipos de suporte nutricional quando estes não foram eficazes (7).

 

Referências Bibliográficas

  1. Gracia-Iguacel C, González-Parra E, Pérez-Gómez MV, et al. Prevalence of protein-energy wasting syndrome and its association with mortality in haemodialysis patients in a centre in Spain. Nefrologia. 2013; 33(4):495-505.
  2. Brzosko S, Hryszko T, Kłopotowski M, Myśliwiec M. Arch Med Sci. Validation of Mini Nutritional Assessment Scale in peritoneal dialysis patients. 2013, 30;9(4):669-76.
  3. Valdivia J, Gutiérrez C, Treto J, et al. Prognostic factors in hemodialysis patients: experience of a Havana hospital. MEDICC Rev. 2013, 15(4):11-5.
  4. Cheu C, Pearson J, Dahlerus C, et al. Association between oral nutritional supplementation and clinical outcomes among patients with ESRD. Clin J Am Soc Nephrol. 2013, 8(1):100-7.
  5. Ikizler TA. Optimal nutrition in hemodialysis patients. Adv Chronic Kidney Dis. 2013 Mar;20(2):181-9.
  6. Sigrist MK, Levin A, Tejani AM. Systematic review of evidence for the use of intradialytic parenteral nutrition in malnourished hemodialysis patients. J Ren Nutr., 2010, 20(1):1-7.
  7. García de Lorenzo A, Arrieta J, Ayúcar A, Barril G, Huarte E; Sociedad Española de Nefrología; Sociedad Española de Nutrición Parenteral y Enteral. Intra-dialysis parenteral nutrition in chronic renal patients: consensus SEN-SENPE. Nutr Hosp. 2010, 25(3):375-7.

 

Autora

Cristina Martins. Nutricionista. Doutora em Ciências Médicas Nefrologia. Coordenadora do Setor de Nutrição das Clínicas de Doenças Renais de Curitiba e da Fundação Pró-Renal Brasil. Diretora Técnica da NUTRO Soluções Nutritivas e Diretora Acadêmica do Instituto Cristina Martins de Educação em Saúde.

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